As lendas
de Coimbra
Histórias que Coimbra conta há séculos, em desenho animado. Por baixo de cada episódio fica separado o que aconteceu do que se conta.
Pedro e Inês
O infante que se apaixonou pela dama da mulher, o rei que não o aprovava, e o que aconteceu em Coimbra a 7 de janeiro de 1355.
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O que aconteceu
- 1340D. Constança Manuel chega a Portugal para casar com o infante D. Pedro. Inês de Castro vem entre as suas damas.
- 1344D. Afonso IV afasta Inês para o castelo de Albuquerque, em Castela.
- 1345Morre D. Constança, pouco depois de nascer o futuro rei D. Fernando.
- 7 jan. 1355Inês de Castro é morta em Coimbra, com o consentimento do rei.
- 1357 · 1360Pedro sobe ao trono e, em Cantanhede, declara que tinha casado com Inês em segredo.
- 1361Dois dos assassinos, entregues por Castela, são executados. Diogo Lopes Pacheco escapa.
- HojeOs túmulos de Pedro e de Inês estão no Mosteiro de Alcobaça.
O que se conta
- Os encontros junto a uma fonte, na quinta a que hoje se chama das Lágrimas.
- A coroação de Inês depois de morta, e a corte obrigada a beijar-lhe a mão.
- A Fonte das Lágrimas, nascida do choro de Inês.
O milagre das rosas
A rainha que dava pão aos pobres, o rei que achava que ela dava demais, e as rosas que apareceram em pleno inverno.
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O que aconteceu
- 1282Isabel, filha do rei Pedro III de Aragão, casa em Trancoso com o rei D. Dinis.
- 1323 · 1324Em Alvalade, põe-se entre os exércitos do marido e do filho, o infante Afonso. A paz é assinada no ano seguinte.
- 1325Morre D. Dinis. Isabel vai em peregrinação a Santiago de Compostela e fixa-se em Coimbra, num paço junto ao mosteiro de Santa Clara, que refundara.
- 4 jul. 1336Morre em Estremoz, aonde fora para pôr paz entre o filho, D. Afonso IV, e o neto, Afonso XI de Castela. É sepultada em Santa Clara.
- 1516 · 1625É beatificada por Leão X e canonizada por Urbano VIII.
- 1677Com as cheias do Mondego a entrar no mosteiro, o corpo sobe para Santa Clara-a-Nova, onde está hoje.
- HojeÉ a padroeira de Coimbra. O 4 de julho é feriado municipal.
O que se conta
- O pão que a rainha levava no regaço para os pobres, e que se tornou rosas quando o rei lhe perguntou o que levava, em pleno inverno.
- O mesmo milagre conta-se de Santa Isabel da Hungria, tia-avó da rainha.
A princesa Cindazunda
Porque há uma princesa, uma taça, um leão e uma serpente nas armas de Coimbra: a lenda de dois reis bárbaros que deixaram de lutar.
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O que aconteceu
- 409 · 411Alanos, vândalos e suevos atravessam os Pirenéus. Dois anos depois, os suevos fixam-se na Galécia, à volta de Braga; os alanos na Lusitânia.
- 418Ataces, rei dos alanos, morre em combate contra os visigodos.
- 438Hermenerico, rei dos suevos, deixa o trono ao filho, Réquila. Morre em 441.
- 465 · 468Os suevos atacam Conímbriga.
- Séc. VIO bispo passa para Aeminium, que fica com o nome da vizinha: Coimbra.
- 1240O mais antigo selo conhecido da cidade mostra um busto de mulher coroada. O leão só aparece mais tarde; no foral manuelino, de 1516, já lá está.
- 1930As armas ganham a forma de hoje: de vermelho, uma taça de ouro entre uma serpe alada e um leão, e em chefe um busto de mulher coroada.
- HojeDesde 2017, a praça do Arnado chama-se Praça Princesa Cindazunda e tem uma escultura dela, de Pedro Figueiredo.
O que se conta
- Ataces, rei dos alanos, tira Conímbriga aos suevos e começa uma cidade nova junto ao Mondego.
- Hermenerico cerca-a; a batalha tinge de vermelho o Mondego; vencido, dá a filha, Cindazunda, em casamento a Ataces.
- Ataces põe nas bandeiras a esposa dentro de uma taça, entre a serpente de Hermenerico e o seu leão. É a versão de Frei Bernardo de Brito, na Monarquia Lusitana; de uma filha de Hermenerico com este nome não há notícia.
- Houve outras leituras das armas: Gil Vicente fez da donzela Colimena, filha de um rei de Córdova; outros viram nela uma ninfa do Mondego, ou a Rainha Santa.
A serpente Coluber
Um rei que escondia a filha, uma aia que deu a vida pela ama, um cavaleiro que não tinha medo, e uma serpente que teria dado o nome a Coimbra.
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O que aconteceu
- Antes dos romanosO planalto de Conímbriga já era habitado, e o nome vem desse tempo.
- -brigaÉ uma palavra céltica: lugar alto e fortificado. Está em muitos nomes antigos da península, como Tongobriga, Mirobriga, Lacobriga ou Segobriga.
- Séc. VIO bispo passa para Aeminium, que fica com o nome da vizinha.
- Idade MédiaO nome vai-se gastando: Conimbrica, Conimbria, Coimbra.
O que se conta
- Hércules Líbio, filho de um rei do Egito, funda um reino na Lusitânia e esconde de todos a filha, Neiva.
- A serpente Coluber mata Marta, a aia de Neiva. Gastão de Mendonça, que o rei tinha posto fora, vence-a e casa com Neiva. O rei dá ao lugar o nome de Coluber Briga, a batalha da cobra.
- É a versão que Gentil Marques publicou nas Lendas de Portugal, em 1962. Noutra, que se conta hoje em Coimbra, é Neiva quem promete casar com quem matar a serpente, e o cavaleiro tira-a da gruta com fumo.
As chaves de Coimbra
Um rei que cerca Coimbra, um peregrino grego que não acreditava que Santiago fosse cavaleiro, e um cavalo branco à porta da igreja de Compostela.
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O que aconteceu
- 1064Fernando I de Leão, o Magno, reza três dias em Compostela e cerca Coimbra a 20 de janeiro, aconselhado por Sesnando, moçárabe de Tentúgal.
- 9 de julho de 1064Ao fim de seis meses, com a fome e uma brecha aberta pelos aríetes, a cidade é tomada. Muitos morrem; cinco mil ficam cativos.
- 1064–1091Sesnando governa Coimbra até morrer.
- Séc. XIIA igreja de Santiago, na Praça Velha, é reconstruída no fim do século. Já havia ali igreja antes do cerco.
O que se conta
- Um peregrino grego, vindo de Jerusalém, reza dia e noite no pórtico da igreja de Compostela e repreende quem chama cavaleiro a Santiago: o apóstolo era pescador e nunca montara a cavalo.
- Nessa noite, Santiago aparece-lhe com umas chaves na mão, monta um cavalo branco e promete dar Coimbra ao rei no dia seguinte, à hora terça. Os mensageiros mandados ao arraial confirmam o dia e a hora.
- É o que conta a Historia Silense, escrita no reino de Leão uns cinquenta anos depois; o Códice Calixtino conta-o também e chama ao peregrino Estêvão, bispo grego. É a mais antiga história conhecida de Santiago a cavalo; a de Clavijo só aparece escrita mais tarde.