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História · Capítulo I27 a.C. – séc. VI

Aeminium, a Coimbra romana

Baixa← poente · a colina da Alta em corte · nascente →Alta

Antes de ser Coimbra, a cidade romana chamava-se Aeminium. O chão que os romanos construíram para a praça principal ainda lá está — por baixo do Museu Nacional de Machado de Castro, na encosta que desce para o Mondego.

Como ler os selos
  • Medidolido hoje por instrumento
  • Escavadoencontrado em escavação e publicado
  • Documentadoescrito numa fonte antiga ou num registo
  • Hipóteseproposto pelos investigadores, por provar
  • Esquemadesenho para explicar, não à escala do achado
O CORTE

Como se faz uma praça numa encosta

A colina da Alta cortada ao meio, do rio ao alto. Ao perto, à mesma escala na horizontal e na vertical.

  1. 01

    Uma linha pela colina

    Corte-se a cidade ao meio, numa linha recta de poente para nascente: da margem esquerda do Mondego, pela Baixa, até ao alto da Alta.

    A linha passa pelo Museu Nacional Machado de Castro. Por cima do chão, os telhados de hoje.

    Medido[2]
  2. 02

    Tire-se a cidade

    Sem os edifícios fica o chão. A Baixa é plana, quase à cota do rio. Depois, a colina.

    Da Baixa ao pátio do museu sobem-se 70 metros, quase todos nos últimos 270 metros de caminho.

    Medido[2]
  3. 03

    Uma praça não cabe numa encosta

    No tempo de Augusto, os romanos puseram o centro de Aeminium no alto desta colina. O centro de uma cidade romana é o fórum: uma praça plana, com pórticos, a basílica e os templos à volta.

    O terreno ali era muito inclinado. Para haver praça, era preciso fazer o chão.

    Escavado[1]
  4. 04

    Então construiu-se o chão

    Contra a encosta ergueu-se um criptopórtico: dois pisos de galerias abobadadas, fechadas, que seguram uma plataforma horizontal. Por fora, um pódio alto e liso, só com frestas para entrar ar e luz.

    Do lado poente, o mais alto, a fachada tinha cerca de 29 metros.

    Escavado[1]Esquema
  5. 05

    Por cima, a praça

    Sobre a plataforma assentou o fórum, com um pórtico de dois pisos. Na fachada poente o pórtico abria-se em arcadas, como o Tabulário de Roma.

    Dali via-se por cima dos telhados da cidade e, mais longe, o Mondego e a encosta da outra margem.

    Escavado[1]Esquema
  6. 06

    O fórum foi-se. O chão ficou

    No fim do século XI já não restava nada do fórum; em cima do criptopórtico estava o paço do bispo. O paço foi sendo refeito durante séculos e, no início do século XX, passou a museu.

    O criptopórtico ficou inteiro, menos a fachada poente. O pátio do museu corresponde, grosso modo, à antiga praça.

    Escavado[1]
DENTRO DO CRIPTOPÓRTICO

Catorze celas debaixo da praça

Dois pisos de galerias abobadadas, fechadas, só com frestas para o ar e a luz. Por dentro, é assim que se organizam.

piso de cimapiso de baixogaleriaesquema · não está à escala

Em cima. Duas galerias em forma de P, uma a envolver a outra, com abóbada de berço. Entre os braços do P, sete celas ligadas por passagens estreitas.

Em baixo. Por baixo das sete celas de cima, outras sete, mais compridas e mais altas, que dão para uma longa galeria.

Escavado[1]Esquema

Quem o desenhou

Um Caio Sévio Lupo, “arquitecto de Aeminium”, deixou uma dedicatória a Marte junto do farol romano da Corunha, a Torre de Hércules. Pode ter sido ele o autor do fórum — há pormenores de construção parecidos nos dois.

Hipótese[1]

Um rosto trocado

Do fórum vêm retratos de Lívia, de Agripina Maior e de Nero. O de Nero foi mais tarde reesculpido com o rosto de Vespasiano; depois juntou-se um Trajano à galeria.

Escavado[1]
EM CAMADAS

Dois mil anos, de cima para baixo

Lê-se como se escava: o mais recente à superfície, Augusto no fundo.

superfície · a cidade de hoje
  1. 1992 – 2008

    Escava-se por baixo do museu

    As obras de remodelação e ampliação do museu foram precedidas e acompanhadas de escavações em cerca de 750 m². É delas que vem quase tudo o que se sabe do fórum.

    Escavado[1]
  2. Início do séc. XX

    O paço passa a museu

    O paço episcopal é convertido no que é hoje o Museu Nacional Machado de Castro.

    Documentado[1]
  3. Fim do séc. XVI

    Uma loggia como a romana

    O paço ganha uma loggia que adopta uma solução parecida com a do pórtico romano, quinze séculos depois.

    Documentado[1]
  4. Séc. XIV

    Cai a fachada poente

    A única parte do criptopórtico que não chegou até hoje. Pode ter caído com tremores de terra.

    Hipótese[1]
  5. Fim do séc. XI

    Um paço sobre o criptopórtico

    Do fórum já não resta nada à superfície. Por cima das galerias romanas está o paço episcopal.

    Escavado[1]
  6. Séc. VI

    Aeminium passa a chamar-se Coimbra

    Depois de os Suevos atacarem Conímbriga, entre 465 e 468, a cidade cresce com quem de lá foge — e acaba por herdar o nome da vizinha.

    Documentado[4]
  7. Séc. I

    Plínio escreve o nome

    Na História Natural, Plínio, o Velho, põe os Aeminienses na lista das cidades estipendiárias da Lusitânia — as que pagavam tributo a Roma.

    Documentado[1]
  8. 41 – 68

    O fórum é refeito de raiz

    Começa com Cláudio e acaba com Nero. O criptopórtico de Augusto fica embutido num outro, muito maior. A data vem da cerâmica encontrada nas camadas da obra.

    Escavado[1]
  9. 27 a.C. – 14 d.C.

    O primeiro fórum

    No tempo de Augusto, a cidade tem já um fórum e um criptopórtico mais pequeno: uma só nave abobadada, com cinco portas abertas para um terraço a poente.

    Escavado[1]

O criptopórtico visita-se.A entrada é pelo Museu Nacional Machado de Castro.

Horários e bilhetes no sítio do museu →
Referências
  1. J. de Alarcão, P. C. Carvalho e R. C. da Silva (2017), “The forums of Conimbriga and Aeminium: comparison and summary of the state of the art”, Zephyrus LXXX, pp. 131–146. doi.org/10.14201/zephyrus201780131146
  2. Direção-Geral do Território, modelos digitais de terreno e de superfície LiDAR 2 m (2024). cdd.dgterritorio.gov.pt
  3. Contornos de edifícios e da água: OpenStreetMap, contribuidores (ODbL). www.openstreetmap.org/copyright
  4. “Aeminium, a antiga cidade romana de Coimbra, de que hoje só restam vestígios”, Observador, 8 de Fevereiro de 2016. observador.pt/2016/02/08/aeminium-antiga-cidade-romana-coimbra-hoje-so-restam-vestigios