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SUMMARY:A União antes da Distinção
LOCATION:Sala do IEF (6º piso da Faculdade de Letras da Universidade de Co
 imbra)\, Coimbra
DESCRIPTION:Trata-se aqui de uma reconstrução sistemática da relação d
 a alma com o corpo em Descartes a partir da hipótese de que a união de a
 mbas é anterior à sua distinção real. Essa anterioridade diz respeito 
 à ordem da experiência: o ser humano vivencia primordialmente a si mesmo
  como uma unidade de alma e corpo cuja separação\, isto é\, a possibili
 dade de um ser concebido sem o outro por ideias claras e distintas\, é po
 steriormente estabelecida pela investigação metafísica. Ora\, como duas
  substâncias heterogêneas podem constituir uma união fundamental? A dis
 tinção substancial não tornaria ontologicamente impossível tal unidade
 \, como entenderam os críticos e mesmo tantos discípulos do cartesianism
 o?\n\nPretendo mostrar que essa dificuldade não constitui\, para Descarte
 s\, primordialmente um problema “ontológico” — já que ele assume a
  união da alma com o corpo como um dado irredutível. A pergunta pela int
 eração entre a mente e o corpo\, portanto\, não explica a união\, mas 
 a pressupõe — é porque há uma coexistência entre a alma e o corpo no
  ser humano que se pode então indagar pelas causas dessa interação. O p
 roblema propriamente cartesiano é então “aitiológico”.\n\nAs Medita
 ções já fornecem elementos para compreender a inteligibilidade dessa in
 teração ao mostrarem que a essência das coisas materiais pode apresenta
 r-se de maneira clara e distinta à mente. Por sua vez\, os Princípios da
  Filosofia oferecem as noções conceituais necessárias para precisar a e
 strutura dessa relação. Descartes distingue “substância”\, “atrib
 uto” e “modo” e sustenta que pensamento e extensão são os atributo
 s principais da alma e do corpo\, isto é\, constituem aquilo que cada uma
  dessas substâncias é e o que permite separá-las. Mas existência e dur
 ação são também classificadas por Descartes como atributos das coisas 
 criadas. Proponho denominá-las “atributos generalíssimos”\, pois\, d
 iferentemente dos atributos principais da coisa pensante ou extensa\, pert
 encem às próprias substâncias criadas enquanto substâncias. Se os atri
 butos principais tornam inteligível a distinção entre elas\, os atribut
 os generalíssimos permitem compreender como substâncias assim distintas 
 podem coexistir: enquanto substâncias criadas\, ambas existem e\, enquant
 o perseveram na existência\, ambas duram. A distinção real não exclui\
 , portanto\, sua coexistência.\n\nhttps://coimbralens.pt/agenda/lj5tv997w
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