
Afro-Portugal 2026 / Sambizanga
- Quando
- segunda-feira, 19 de outubro · 21h30
- Onde
- Teatro da Cerca de São Bernardo

Adaptação de A Vida Verdadeira de Domingos Xavier, obra literária do poeta angolano José Luandino Vieira, Sambizanga é a primeira longa-metragem conhecida de Sarah Maldoror. Se o livro se centra na figura de Domingos Xavier, operário envolvido nos movimentos de resistência anticolonial, preso e torturado até à morte em 1961 pela polícia política portuguesa, o filme é narrado do ponto de vista da sua mulher, Maria, que parte em busca do seu marido, viajando até Luanda. Como escreveu Annouchka de Andrade, filha de Maldoror e de Mário Pinto de Andrade, Sambizanga tem uma estética sensual, transmitida através de cenas do quotidiano: o casal Maria e Domingos, as longas viagens de Maria a pé por caminhos poeirentos, e a relação de Maria com o filho que carrega nas costas ()”. A versão exibida é uma cópia restaurada do filme, a partir dos negativos originais em 35mm. pela Cineteca di Bologna e por The Film Foundation’s World Cinema Project em L’Image Retrouvée (Paris), em colaboração com as Éditions René Chateau e a família de Sarah Maldoror. Financiamento garantido pela Hobson/Lucas Family Foundation. Este restauro é parte do African Film Heritage Project, uma iniciativa criada por The Film Foundation’s World Cinema Project, pela FEPACI e pela UNESCO – em colaboração com a Cineteca di Bologna – para ajudar a localizar, restaurar e disseminar o cinema africano.
Afro-colonial-afro-decolonial-afro-europeu-afro-pessimismo-afro-futurismo-afro-centrado-luso-afro-ancestral-afro-lusófono-afro-diaspórico-afro-performance-afro-tudo-ou-afro-nada………. Nesta terceira edição, o festival Afro-Portugal 2026 abre espaço para todas as interrogações, indagações, questionamentos, perplexidades, críticas, instabilidades, flutuações, derrocadas, desordens, caos e até mesmo entropias… em torno do prefixo Afro. Num caminho que passou por fazer as contas do passado colonial (2022) e refletir sobre os mundos em movimento (2024), pretendemos, agora, interrogar os hífens, como expressão insuficiente da complexidade que reside nos dois lados de tantos elementos hifenados. É importante solidificar os modos de afirmação das pessoas negras como sujeitos plenos das diversas comunidades em que se movem e como agentes do seu futuro e das sociedades em que desejam viver. Afinal, quem fala, de quem se fala, para quem se fala? Quantas comunidades, quantas vivências, quantas subjetividades diversas se manifestam no Afro? Quais as suas vozes, próximas e diversas? Que mitos e que realidades? Que liberdades e que ocultações? Que restituições e que apropriações? Que prolongamentos coloniais na celebração de datas redondas? Que presente e futuro dos / para africanos/as e seus países? Que presente e futuro para afrodescendentes neste país? “Afro-Quê?!” é uma convocatória artística, ética, social e política para um verdadeiro protagonismo negro no desenho múltiplo e diverso das linguagens, dos saberes, das estéticas e dos imaginários transformadores que podem levar a um mundo mais justo.
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